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19 Set

In an unprecedented initiative in Brazil, SESI-SP producesThe Drowsy Chaperone, part of SESI-SP Educational Project Musical Theatre (that includes the show and vocational training in music theater), and (this is amazing) free tickets.

Um verdadeiro presente de amor aos fãs do teatro musical. Assim pode ser definido The Drowsy Chaperone, incontestavelmente o único show de sucesso da Broadway que começou como uma diversão em festas de amigos. Quando os escritores canadenses Don McKellar, Lisa Lambert e Greg Morrison criaram uma sátira aos antigos musicais da Broadway, em 1999, para ser apresentada nas núpcias de seus amigos Bob Martin e Janet Van De Graaf (cujos nomes eles emprestaram ao casal central neste musical-dentro-de-um-musical, no original), o resultado fez tanto sucesso que Martin se juntou como co-escritor e ator criando o personagem do Homem da Poltrona (Man in Chair) para o Toronto Fringe Festival. Daí, The Drowsy Chaperone foi produzido no Theatre Passe Muraille, um teatro sem fins lucrativos de Toronto, e após muita aclamação, foi para um teatro de 1000 lugares. Quando terminou sua temporada em Toronto, em 2002, acabou sendo produzido em Los Angeles, em 2005, chegando à Broadway em maio de 2006.

O musical começa com o mal-humorado e antissocial Homem da Poltrona (o personagem é sem nome) se dirigindo à plateia de seu lúgubre apartamento onde começa a falar diretamente com o público sobre sua paixão de consumo: gravações de elencos originais de comédias musicais. Ignorando toques de telefone, ele prossegue e começa a discutir seu musical favorito, um dos anos 1920, A Madrinha Embriagada (The Drowsy Chaperone). Conforme ele coloca o vinil do show na vitrola, e vai comentando a ação, as curiosidades e as fofocas de bastidores do fictício show, seu apartamento é invadido pelos personagens do musical (alguns saem de dentro da geladeira). Numa linguagem metalinguística, o decadente apartamento, como se fosse num livro pop-up, vai se transformando nos vários e “imaginativos” cenários da produção.

Dirigido e coreografado na Broadway por Casey Nicholaw, o musical ganhou os Tonys de melhor Libreto, Score,Atriz Coadjuvante (Beth Leavel), Figurinos e Cenários, num total de 13 indicações.

O score é uma caricatura dos shows daquele período, um pastiche inteligente dos musicais da Era do Jazz, só que com uma abordagem mais contemporânea e sofisticada do que The Boyfriend, por exemplo, que satiriza a mesma época. A gente ouve e logo sai cantarolando as músicas, e se sentindo parte do show, onde cada canção é um deleite, e quando você vai ver, está com um sorriso no rosto. No número ‘Surpresa Fatal’ você será tomado por uma vontade irresistível de subir na cadeira do teatro e começar a dançar charleston! Em ‘Pé Frio’ o mesmo acontecerá só que com o sapateado. Um dos highlights é sem sombra de dúvidas ‘Cansei de Me Expor’, o showstopper do musical, cantado com gosto por Sara Sarres, onde ela mostra sua versatilidade e faz uma das trocas de figurinos mais rápidas desde a comissão de frente da Unidos da Tijuca. Ela é uma das grandes estrelas do teatro musical brasileiro atual e em cada música coloca energia e muito estilo. As músicas ‘Aldolpho’ e ‘Mensagem de Um Rouxinol’ realçam a habilidade cômica de Cleto Bacic, que canta a segunda com Stella Miranda, que faz a tal da madrinha (na verdade mais uma dama de companhia, aquela que “segura vela” de um casal) e é uma cantora razoável e tem seu momento em ‘Vamos Todos Cair’. O restante do elenco é all star, que é como numa receita de comida com ingredientes de primeira (fica difícil de errar), com destaque para Ivanna Domenyco (Madame Francisca, a dona da casa), Edgar Bustamante (Agildo, o mordomo) e Andrezza Massei (Dôra, a Aviadora).

Frederico Reuter (Roberto Marcos, o noivo) não chega a comprometer e tem uma cara ótima de almofadinha – para se usar um termo da época – mas não é um grande sapateador, e tem um número inteiro neste gênero. Ivan Parente(Homem da Poltrona) conquista a simpatia e a cumplicidade da plateia logo de cara, o que é fundamental para a ação da peça. Kiara Sasso (Eva) e Saulo Vasconcelos (Sr. Iglesias), os dois em participação especial, poderiam ter um pouco mais de timing em suas atuações exageradamente e propositadamente, acredito eu, histriônicas. Kiara, num tipo que aparenta e tem a vozinha da Betty Boop, fala de um jeito que muitas vezes não se entende o que se diz ou canta. O resto do elenco, incluindo as figuras muito engraçadas de Elton Towersey (Jorge), Rafael Camargoe Daniel Monteiro (padeiros), faz com que este show tenha um dos elencos mais bem escolhidos das montagens recentes.

A produção é de primeira! Cenários maravilhosos de Renato Theobaldo, melhores que os da Broadway, que tinha uma produção mais “barata”. Os figurinos art-decó de Fause Haten são luxuosos e muitas vezes divertidos. A maquiagem/visagismo também está incrível, redesenhando praticamente a face de todos os atores.

Quanto à adaptação, se os diálogos estão bem engraçados (a plateia rola de rir com aquelas gags de sempre doMiguel Falabella), as músicas não têm uma versão para o português no mesmo nível. E que péssima ideia foi esta de transportar a peça para a São Paulo de 1928, sob os ecos da Semana de Arte Moderna, de 1922? Só se foi para justificar esta montagem, que é patrocinada pelo SESI/FIESP, e sua verba milionária, porque muita coisa fica sem sentido. Nunca houve Lei Seca no Brasil (a não ser em dia de eleição e não é o caso), não tínhamos montagens de comédias musicais nem burletas no Theatro São Pedro, portanto não se gravavam discos de vinil e muito menos LPs de “Elenco Original” naquela época (o personagem fala que herdou o LP da avó). Pode-se até argumentar que foi “liberdade poética”, mas realmente não se justifica, já que há uma preocupação pedagógica com a peça, segundo o encarte que veio acompanhando o programa.

Embora toda aquela sensação dos loucos anos 20 esteja no musical, as vozes e orquestrações, muito bem dirigidas pelo maestro Carlos Bauzys, são indubitavelmente um produto do teatro musical moderno, ou seja não soam antiquadas.

A Madrinha Embriagada é boa diversão. A plateia, que não paga nada, e tem filas enormes na porta esperando por um ingresso, parece gostar muito, afinal a história é boa.

O personagem Homem da Poltrona resume bem o musical quando compartilha com a gente, no final da peça, queA Madrinha Embriagada faz aquilo o que se supõe que um musical deva fazer: levar você para um outro mundo e lhe dar uma pequena melodia que te acompanhe quando você estiver se sentindo triste”.

POST SCRIPTUM: Na última segunda-feira, 24 de março, foi anunciado o musical que virá a seguir, substituindo A Madrinha Embriagada: O Homem de la Mancha, um clássico da Broadway dos anos 1960, já montado no Brasil em 1972, protagonizado por Paulo Autran, Bibi Ferreira e Grande Otelo. O que causou surpresa foi o fato deste mesmo musical já ter os direitos comprados por Moyses Ajhaenblat, dono do Teatro Oi Casa Grande, no Rio, e sua produção anunciada pela M&B, leia-se Charles Möeller e Claudio Botelho. O que averiguei é que por conta de uma cláusula no contrato, havia uma brecha para se comprar os direitos só para São Paulo, e assim a FIESP pagou uma grande soma para adquiri-lo, impedindo que a produção carioca fosse adiante, já que não tem este mesmo suporte financeiro. Isto é no mínimo uma demonstração de má fé e de falta de ética, já que provavelmente a produção carioca viria para São Paulo, como tantas outras vieram. Neste dia, que foi uma aula-show de inauguração do curso técnico de Teatro Musical, Miguel Falabella disse que está “pensando em uma coisa bem maluca para este musical(O Homem de La Mancha). Só esperamos que ele não adapte as áridas paisagens desta região central espanhola, a Mancha, para a caatinga brasileira na época de Lampião.

Serviço:
A Madrinha Embriagada – Uma Comédia Musical
Do original The Drowsy Chaperone
Texto de Bob Martin e Don Mc Kellar
Direção e versão de Miguel Falabella
Música e letra de Lisa Lambert e Greg Morrison

Com Ivan Parente, Stella Miranda, Saulo Vasconcelos, Sara Sarres, Cleto Baccic, Ivana Domenico, Paula Capovilla, Kiara Sasso, Frederico Reuter, Fernando Rocha, Edgar Bustamante, Adriana Capparelli, Rafael Machado, Daniel Monteiro, Andrezza Massei, Will Anderson, Jana Amorim, Luana Zenun, Elton Towersey, Jessé Scarpellini, Luis Pacini, Anelita Gallo, Carol Costa, Max Oliveira e Ditto Leite.

Data: até 29 de junho de 2014.
Horário: quartas, às 21h; quintas e sextas, às 21h; sábados, às 16h e às 21h; domingos, às 19h.
Local: Teatro do Sesi São Paulo.
End.: Avenida Paulista, 1313 – Cerqueira César – São Paulo.
Grátis.
Tel.: (11) 3146-7405.

Reserva antecipada de ingressos www.sesisp.org.br/ingressomadrinha

Ingressos remanescentes distribuídos no dia do espetáculo, a partir do horário de abertura da bilheteria. Os ingressos são disponibilizados no site a partir das 8h do dia 20 do mês anterior.